Vestiu meu vestido
Passou meu batido batom
Fez um passo esquisito
Mudou compasso e tom
Pintou a boca em coração
Usou salto alto e cetim
Esqueceu da combinação
e esqueceu-se de mim
Minha menina se foi
levar a vida que quis
Seu homem vai ser boi
e ela vaca feliz
Lapa, Praça XV, Mauá...
Caberá em qualquer cabaré
E em qualquer mafuá
minha menina será mulher
Com olheiras roxas
e exalando horrível odor
Com marcas nas coxas
na Comarca do doutor
Fará amor sem amor
Sentirá prazer sem prazer
Sem asco ou pudor
mudará de “A” para “Z”
Até que carente gerente
ou bem sucedido doutor de escritório
financie vida decente
e casamento em cartório
A noiva da cidade
agora é dondoca
Na fina flor da sociedade
ela hoje se entoca
De vinhos bons se entope
De lindos tons se veste
Pros velhos amigos um choque
pois só pro marido se despe
Não come ovo, nem bucho
Põe no bucho o gostoso do bicho
Da Boca do Lixo
pro bafo de luxo
Das manchas de “O Dia”
prás manchetes do Ibrahim
Quem prosa posa à fotografia
já foi verso e prosa em botequim
Já pode trazer a família do Norte
e já não quer maldizer o destino e a sorte
O passado do corpo é página virada
desde a chegada ao topo da escada
As colunas estão cheias
de “divinas cocadinhas nota dez”
que já foram deusas feias
e que se vendiam por cem mil réis
1984
Passou meu batido batom
Fez um passo esquisito
Mudou compasso e tom
Pintou a boca em coração
Usou salto alto e cetim
Esqueceu da combinação
e esqueceu-se de mim
Minha menina se foi
levar a vida que quis
Seu homem vai ser boi
e ela vaca feliz
Lapa, Praça XV, Mauá...
Caberá em qualquer cabaré
E em qualquer mafuá
minha menina será mulher
Com olheiras roxas
e exalando horrível odor
Com marcas nas coxas
na Comarca do doutor
Fará amor sem amor
Sentirá prazer sem prazer
Sem asco ou pudor
mudará de “A” para “Z”
Até que carente gerente
ou bem sucedido doutor de escritório
financie vida decente
e casamento em cartório
A noiva da cidade
agora é dondoca
Na fina flor da sociedade
ela hoje se entoca
De vinhos bons se entope
De lindos tons se veste
Pros velhos amigos um choque
pois só pro marido se despe
Não come ovo, nem bucho
Põe no bucho o gostoso do bicho
Da Boca do Lixo
pro bafo de luxo
Das manchas de “O Dia”
prás manchetes do Ibrahim
Quem prosa posa à fotografia
já foi verso e prosa em botequim
Já pode trazer a família do Norte
e já não quer maldizer o destino e a sorte
O passado do corpo é página virada
desde a chegada ao topo da escada
As colunas estão cheias
de “divinas cocadinhas nota dez”
que já foram deusas feias
e que se vendiam por cem mil réis
1984
