22 de agosto de 2008

Não me desligue agora

Muito frio lá fora, me deito quieto
com os olhos parados no ar
Eu sei que estás de partida
para em outro porto aportar

Tento escrever prá esquecer um verso
e meu pranto borra o forte lápis 6-B
De fraco, me entrego à saudade
e choro feito um bebê

E acendo mais um cigarro
prá curtir mais um porre
Espanto o teu vulto
mas ele não corre

Folheio um livro
Ligo e desligo a TV
De nada adianta
e vejo em tudo você

Então meu peito dispara
as armas do amor prá matar
De novo as noites em claro
De novo as mesas de um bar

De novo a enorme procura
De novo quase morrer de paixão
Outra vez aventuras
Outra vez solidão

Ponho um disco na vitrola
e rola um bolero do Bosco
O olhar inundado
inunda o rosto

Amor, não me desligue agora
Deixa o prato girar até o final
e se o automático não funcionar
a gente aciona o manual

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.