13 de maio de 2010

Tem sempre um dia

Tem sempre um dia
em que o fraco esmaga
É quando a vida o traga
Quando o cruel lhe afaga
Um dia, o gozado encarna
É quando a dor não sara
Quando o cego o encara
Quando o que está preso
o amarra

Tem sempre um dia
em que o tolo aprende
É quando a chama acende
Quando a verdade mente
Um dia, o carcereiro solta
É quando o detento volta
Quando dormir a escolta
é quando o calmo
se revolta

Tem sempre um dia
em que a flor não abre
É quando o tolo sabe
Quando o seguro em si desabe
Um dia, o sol não nasce
É quando a certeza fez-se impasse
Quando a presa ao caçador cace
É quando o manso já não lhe oferece
a face

Tem sempre um dia
em que o amor se cansa
E quando o olhar já não mais alcança
é quando o adulto vai deixar de ser criança
Um dia, todo o mar se ardia
E quando meu bem-querer partia
era quando outra mulher surgia
fazendo outra jura assim...
e eu ia

2010

Tudo acabado

Coisa estranha querer bem
Gesto extremo amar alguém
Estar junto, sentir paixão
Dizer sim querendo dizer não

Esquecer princípios, posições
Cerrar os olhos, colher ilusões
Se perder na trilha rumo ao nada
Trair o amor ao ser beijada

Coisa insana, ato chulo
Verso amargurado
se de outra cama eu pulo

Acordo rasgado, sonho acordado
Ferida que não curo
Paixão, tesão... tudo acabado

2007

18 de março de 2010

Entre

Entre a cruz e a espada
Jesus, estou entre a amante e a amada
Diante ao choro e a risada
Fiz jus ao beijo e a porrada

Entre o permitido e o proibido
Traído entre o amor e a libido
Ante ao ignorante e ao sabido
Incontido, dei um beijo e fui cuspido

Entre a certeza e a dúvida
duvido da morte e não da vida
Frente ao remédio e a bebida
se cuspido é o beijo faz ferida

Entre ser homem ou mulher
Insone ao se deitar prá com sono estar de pé
Sempre entre o bem e o malmequer
me vendo, mas só lhe beijo se quiser

2010

Alva

Teu sorriso doce
foi perdendo o açúcar
e por fim amargou-se
Teus cabelos abertos em flor
que andavam soltos no ar
voaram como nosso amor

Por causa dum sarro
as pernas de louça
tornaram-se barro
Por não saber o que quer
Adormecestes moça
e acordastes mulher

Os olhos outrora rasos
escondem-se hoje no fundo
confundindo seus passos
Mãe e filho, duas vidas iguais
no estribilho dum mundo
diferente demais

E vamos adiando a verdade
até que um dia nos bata
no corpo todo a saudade
E nos cotovelos das patas
sentir a malícia e maldade
das carícias do amor e seus tapas

1985

Por favor

Se o rei morrer
invente outro rei
que o povo não pode viver
sem os braços da lei

Quando a festa acabar
prepare outra festa
que o povo tem que sambar
pois sambar é o que resta

Contrate outro amor
quando o amor lhe der adeus
Por amor, por favor
pelo amor de Deus

2007

Quem sou eu

Minha foto
Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.