22 de agosto de 2008

O amor no meu diário

O amor é um mercenário
Um franco atirador
Um falso missionário
em missões do interior

O amor é um dicionário
malfeito e sem tradutor
Luxuoso calendário
mas de mulher sem pudor

O amor é um imaginário
conto de mercador
Magnífico cenário
de um medíocre ator

O amor é crediário
de sujeito mau pagador
É salário de operário
e atrasa que é um horror

O amor é um canário
vistoso e cantador
que uma vez no aviário
não encontra comprador

O amor é o plenário
para o discurso do ditador
O pronunciamento diário
que só dita a dor

O amor é um operário
e nas vagas horas cantor
Mulher doente do ovário
que não quer ir ao doutor

Como eu é um funcionário
faltoso e não cumpridor
que está demissionário
e não é mais servidor

Mas também é o mostruário
de rara e bonita flor
fabricando o néctar necessário
ao alimento do beija-flor

O amor no meu diário
tem mil doentes, nenhum doutor
Só tem espinhos, nenhuma flor
Postal do Rio sem Redentor

O amor no meu diário
salta em páginas de dor
Amareladas e sem cor
escondendo rabiscos de um amador

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.