2 de agosto de 2008

Mil olhares

Os olhos teus precisam viver
mas só um é seguro
Um vive o presente
e o outro sonha o futuro
Enquanto um filma em close
o outro é câmera aberta
Um erra o alvo
enquanto outro o acerta
Se um olho teu me quer
o outro me odeia
Um, de sofrer não tem medo
mas o outro receia
O esquerdo corre e disfarça
o que o direito não pode
Um, não dá de ombros
já o outro sacode

Os olhos teus penetram a poesia
mas só um a decora
Um não sente pudor
só o outro cora
Enquanto um é estéril
o outro me engravida
Um tem paixão e confia
enquanto o outro duvida
Se um olho teu me divide
o outro subtrai
Um, de tanto sofrer é fiel
mas o outro trai
O esquerdo mergulha e se afoga
enquanto o direito bóia
Um, finge não ver
mas o outro me óia

Os olhos teus procuram palavras
mas só um forma a frase correta
Um busca o homem
o outro o poeta
Enquanto um pousa na sala
o outro corre à janela
Em um vejo a fera
e noutro imagino a bela
Se um olho teu visa o amor
o outro cheira a sexo
Um, de tanto sofrer se supera
mas o outro guarda o complexo
O esquerdo é descrente e cruel
enquanto o direito tem fé
Em um vejo a moça
e nos dois a mulher

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.