23 de agosto de 2008

Como uma flecha

Faça silêncio
e o mundo então te ouvirá
Use a cor branca
pro vermelho apagar
Use a partida
prá poder sempre voltar
E derrame seu pranto
até a si próprio afogar

Não tema a morte
deixe-a frente à frente a você
Distribua veneno
prá mãe do bebê
Sinta saudades
que todos vão te esquecer
E se sozinho chorar
não deixe nunca ela ver

Se deite com ela
só por deitar
Faça amor com o seu corpo
como se a fosse matar
Corte o seu pulso
pro veneno estancar
Baixe então um decreto
e não deixe ninguém revogar

Cometa mil erros
para o alvo acertar
Repita o que eu digo
para não se enganar
Narre a verdade
e irás sempre mentir
E faça o que eu faço
se quiser resistir

Pensei pedir-lhe desculpa
mas já vi que não da
Você fez tudo errado
você foi de amargar
Quando ler o meu livro
pode até o rasgar
Que até lá já disse adeus
vou de você me soltar

Hoje, bem mais experiente
entro no mar quando o tempo se fecha
Disfarço a calvície
pinto essa mecha
Guardo esse texto
como se houvesse entre nós uma brecha
E firo a todas nos olhos
com olhos como uma flecha

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.