31 de outubro de 2008

Sobrecarta

Niterói,
Ai como dói!
15 de janeiro
Que pena eu não ter sido o primeiro.
de 1986.
aqui no velho boteco outra vez.

O motivo desta
Fui amarrado a alguém que me detesta.
é tentar assassinar um pouco a saudade,
Como é difícil pisar os pés na realidade.
pois você nunca mais telefonou,
Eu não sei onde parar esse meu vôo.
nunca mais vi teu sorriso.
Ely, desce outra que beber é preciso.
Como estão as coisas? Muita novidade?
Olha aí de novo a saudade...
Você passou no vestibular?
Olha só cara: que jeito, que cara, que olhar...
Eu burlei, a rigor. Não era prá vestiburlar?
Será que tá desacompanhada? Sei lá não sei, sei lá.

Às vezes sempre eu me lembro dos nossos papos.
Põe teu telefone aqui, no guardanapo.
Nossos sonhos eram quase iguais,
Eles estão me olhando feito canibais...
E acho que os descaminhos também.
Deixa eu só acabar essa cartinha, meu bem.
Me lembro que, por vezes, te flechava com olhos cheios de maldade.
Não, não, infelizmente é só amizade
Vê se você não me esquece não.
Olha quem tá em pé, lá no balcão.
Apareça, mande notícias!
Ai que gostoso, faz de novo essa carícia.

Tenho muita boa nova prá te contar.
É, já vi que escrever aqui não vai dar.
Vamos marcar um encontro, uma cerveja...
Agora sim, vem... me beija...
Espero uma resposta rapidinha, tá?
Escuta... e você... você mora... mora... sozinha?
Então, vai dá?

1977

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.