26 de outubro de 2008

Punhais

Fiz do canto, de pronto, um lindo choro
e do choro, em pranto, um novo riso
Somado a tantos fiz um coro
E cantei, pois cantar é preciso

Fiz do olhar que anima lâmina cortante
e dos olhos da menina um novo guizo
Feito Vinícius, fiz da vida uma aventura errante
Como Francis Drake, o navegante
vivi, pois viver é preciso

Fiz dos bares meus mares para refúgio aos descaminhos
e indo a caminho dos males fiquei firme feito fruto verde
Feito Baby Doc fugi sozinho
Sozinho feito John Rambo
lutei como um boina-verde

Fiz do amor que peca peça de um quebra-cabeça
e, pecador, a cabeça em Meca arremeçei contra a parede
Feito Figueiredo pedi me esqueça
Como Cartola pediu naquele samba
O mestre da rosa e verde

Fiz dos versos, confesso, um certeiro punhal
Punhal afiado, de aço, que cravei em seu peito
E feito um Clóvis saí anônimo e feliz no carnaval
Como um pierrô apaixonado, mascarado
ligado e livre, em plena Avenida Central

1986

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.