30 de maio de 2008

Pela Internet

Talvez eu seja belo, teso e tecle enter
Ou quem sabe eu seja o Belo e esteja preso na Polinter
Talvez eu seja um porco chamurdado em lama
Ou quem sabe um louco fornicando em cama
Quem sabe eu seja culto e pelo mundo viajando
Ou apenas vulto, vagabundo ou tô cagando

Talvez eu seja jovem, esportista e livre
Ou quem sabe nuvem, ativista em greve
Quem sabe seja rápido, precoce, breve
Ou apenas parasita que em outro corpo vive
Quem sabe eu seja puro, com espinhas e chiclete
Ou quem sabe no escuro eu aperte o delete

Talvez quem sabe um pedófilo navegando na Internet
Quem sabe se sou Carlos, Creusa, Marcos ou Janete?
Talvez quem sabe sou um velho traficando pela Europa
Ou quem sabe um nazista que dizimou a própria tropa
Talvez quem sabe um índio cibernético na oca
Quem sabe estou em Londres, num morro, na maloca

2005

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.