30 de maio de 2008

Falsas centelhas

Um me bate, quase estupra e
vai embora
Outro se ajoelha, pede perdão
e quase chora
Mas quando os dois se cruzam no corredor
trocam olhares quase iguais
Como caçadores febris
eles se despem das máscaras
Os animais

Um me cospe, me bate na cara
e simula partir
Outro engole seco, me oferece a face
e agora sorri
Mas quando os dois se esbarram no portão
trocam gestos bem reais
Como guerreiros melanésios
eles planejam chupar meus ossos
Os canibais

Um me ilude, quase acredito
Mas é mentira
Outro me jura, fala em suicídio
e quase atira
Mas quando os dois apertam as mãos
se entregam demais
Pensam ser as centelhas
que me incendeiam por dentro
que explodem o cais
que me queimam na cama
Como, se esquecem o melaço da cana
nos canaviais?

1986

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.