Há nos cascos um asco itinerante
Há no líquido um híbrido de amante
Há nos bares pares de errantes
Nos olhos do bêbado
pétalas em flor, cacos de vidro
Pois para o mau bebedor
qualquer gota é um litro
Há nas palavras larvas canibais
Há nas frases gases mortais
Há no texto incestos imorais
Nos olhos do poeta
sangue vermelho, tinta preta
Pois para o bom contador
qualquer pingo é letra
Há nos cascos e nas palavras algo indecifrável
Há nos líquidos e nas frases algo nada amável
Há em nós dois um deserto interminável
Nos olhos de ambos
desencontro e solidão
Nas garrafas e nas letras
a gota fatal da ilusão
1987
Há no líquido um híbrido de amante
Há nos bares pares de errantes
Nos olhos do bêbado
pétalas em flor, cacos de vidro
Pois para o mau bebedor
qualquer gota é um litro
Há nas palavras larvas canibais
Há nas frases gases mortais
Há no texto incestos imorais
Nos olhos do poeta
sangue vermelho, tinta preta
Pois para o bom contador
qualquer pingo é letra
Há nos cascos e nas palavras algo indecifrável
Há nos líquidos e nas frases algo nada amável
Há em nós dois um deserto interminável
Nos olhos de ambos
desencontro e solidão
Nas garrafas e nas letras
a gota fatal da ilusão
1987

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