23 de junho de 2008

O bêbado e o poeta

Há nos cascos um asco itinerante
Há no líquido um híbrido de amante
Há nos bares pares de errantes
Nos olhos do bêbado
pétalas em flor, cacos de vidro
Pois para o mau bebedor
qualquer gota é um litro

Há nas palavras larvas canibais
Há nas frases gases mortais
Há no texto incestos imorais
Nos olhos do poeta
sangue vermelho, tinta preta
Pois para o bom contador
qualquer pingo é letra

Há nos cascos e nas palavras algo indecifrável
Há nos líquidos e nas frases algo nada amável
Há em nós dois um deserto interminável
Nos olhos de ambos
desencontro e solidão
Nas garrafas e nas letras
a gota fatal da ilusão

1987

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.