Pai, o teu mundo rola sobre bilhas de rolimã
Esmagando no asfalto as nossas filhas
Desvirtuando a nossa irmã
Enquanto crescemos sonhando com o amanhã
o dia-a-dia vai nos roubando
todo o arfar do afã
Fala-se de guerras no Oriente, Ocidente, em Israel, no Irã
Onde está todo o leite e a promessa do mel?
Desce mestre das nuvens, sai das escrituras, dos templos, do Islã
Não é justo, só por ter Adão comido a maça
eu, que nem o conhecia, ter que por ele gemer
e viver assim nessa vida tão vã
Engolindo sapo, comendo rã
Enquanto as serpentes se deitam ao vento
se espreguiçam, se amoitam no meu divã
Já segurei crucifixo, beijei talismã
Deitei os joelhos por terra e mil vezes rezei
Mas continuo pelas noites vagando com minh’alma pagã
Vou acabar ficando cansada de ser cristã
Tendo que lutar sozinha nessa cruzada
com tanto falso titã
É meu pai, eu só queria voltar pro Paraíso e levar uma vida sã
O que preciso?
Será que tenho que ser um Deus, Zeus, Buda ou Tupã?
1985
Esmagando no asfalto as nossas filhas
Desvirtuando a nossa irmã
Enquanto crescemos sonhando com o amanhã
o dia-a-dia vai nos roubando
todo o arfar do afã
Fala-se de guerras no Oriente, Ocidente, em Israel, no Irã
Onde está todo o leite e a promessa do mel?
Desce mestre das nuvens, sai das escrituras, dos templos, do Islã
Não é justo, só por ter Adão comido a maça
eu, que nem o conhecia, ter que por ele gemer
e viver assim nessa vida tão vã
Engolindo sapo, comendo rã
Enquanto as serpentes se deitam ao vento
se espreguiçam, se amoitam no meu divã
Já segurei crucifixo, beijei talismã
Deitei os joelhos por terra e mil vezes rezei
Mas continuo pelas noites vagando com minh’alma pagã
Vou acabar ficando cansada de ser cristã
Tendo que lutar sozinha nessa cruzada
com tanto falso titã
É meu pai, eu só queria voltar pro Paraíso e levar uma vida sã
O que preciso?
Será que tenho que ser um Deus, Zeus, Buda ou Tupã?
1985

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