15 de junho de 2008

Serpentes no divã

Pai, o teu mundo rola sobre bilhas de rolimã
Esmagando no asfalto as nossas filhas
Desvirtuando a nossa irmã

Enquanto crescemos sonhando com o amanhã
o dia-a-dia vai nos roubando
todo o arfar do afã

Fala-se de guerras no Oriente, Ocidente, em Israel, no Irã
Onde está todo o leite e a promessa do mel?
Desce mestre das nuvens, sai das escrituras, dos templos, do Islã

Não é justo, só por ter Adão comido a maça
eu, que nem o conhecia, ter que por ele gemer
e viver assim nessa vida tão vã

Engolindo sapo, comendo rã
Enquanto as serpentes se deitam ao vento
se espreguiçam, se amoitam no meu divã

Já segurei crucifixo, beijei talismã
Deitei os joelhos por terra e mil vezes rezei
Mas continuo pelas noites vagando com minh’alma pagã

Vou acabar ficando cansada de ser cristã
Tendo que lutar sozinha nessa cruzada
com tanto falso titã

É meu pai, eu só queria voltar pro Paraíso e levar uma vida sã
O que preciso?
Será que tenho que ser um Deus, Zeus, Buda ou Tupã?

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.