27 de junho de 2008

Feliz Natal prá todos


Aos que já velhos na veia ainda injetam
Aos que vivem a vida dos que vegetam
À menina que não sabe e vai ser mãe
E ao meu amor que, talvez, se embriague com champanhe
Feliz Natal

Ao soldado do Choque que ontem me bateu
Ao mais novo mendigo que nasceu
Ao peão sozinho lá na obra
E ao meu amor que, talvez, caminhe feito cobra
Feliz Natal

A todos os medíocres nos seus lares
Aos que pernoitam pelos bares
Ao conselheiro que não sabe o que dizer
E ao meu amor que, talvez, morda os lábios de prazer
Feliz Natal

Ao pai carente distante do seu filho
Ao menino sozinho e maltrapilho
Ao bêbado que tropeça nos meus passos
Ao meu amor que, talvez, se embale n'outros braços
Feliz Natal

Ao que tenta se enforcar usando um cinto
Ao que fez da vida um eterno labirinto
Aos loucos feito porcos comendo lama
Ao meu amor que, talvez, agonize n'outra cama
Feliz Natal

Ao governante que não fez e muito prometeu
Ao doente crônico que a família já esqueceu
À que sendo moça quer ser homem
Ao meu amor que, talvez, grite na hora o meu nome
Feliz Natal

À toda espécie de mulher
Ao convento, ao presídio, ao cabaré
Ao que mantêm acesa a chama
Ao meu amor que, talvez, diga que já não me ama
Feliz Natal

Ao que está sozinho agora
Ao que pede perdão e chora
À vadia que se abre prá que'u entre
Ao meu amor que, talvez, veja meu vulto num repente
Feliz Natal

A todos os malditos
De todos os credos, todos os ritos
A todo canto, enfim, onde a saudade me levar
E ao meu amor que em meio a tudo não esquece o meu olhar
Feliz Natal

1980

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.