15 de junho de 2008

Bonecas

Vejo-te emoldurada nos Arcos
e aterrorizada no Aterro praticas
Indiferente aos embargos, os bagos
oferece pacífica na Atlântica

Nas ruelas escuras
refugiam-se então
Por amor tu procuras
pois ninguém quer solidão

Uns, aproximam-se nervosos
e vão direto ao assunto
Examinam todos os ossos
explicam que é festa em conjunto
Há os que pechincham
o seu carinho
e em teus ouvidos cochicham
falando baixinho

Acompanho-te da Terra do Fogo
às galerias do Alasca
Muitas mulheres fazem teu jogo
só não têm sua casca

De algumas damas
brota inveja e despeito
Outras, com os olhos em chamas
elogiam o quase perfeito
Adolescentes se aproximam
tímidos e curiosos
E entre quatro paredes eliminam
instintos furiosos
Pelos dotes do freguês
estipulas teu preço
e aos que te alugam por mês
viras o corpo do avesso

Vejo-te com naturalidade
em meio a formas artificiais
Pois onde reina a moralidade
residem os imorais

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.