1 de junho de 2008

Minhas palavras

Sou dionisíaco, eu sei
Mas meus verbetes
são como os traços de Apolo
Perfeitos, sóbrios
...e chora em seu colo

Sou incrédulo, eu sei
Mas minha letra
é como a magia de Tupã
Irradia uma aurora infinita
...e anuncia o amanhã

Sou bandido, eu sei
Mas minhas falas
são como as balas do xerife
Abalam as bases dos audazes
...e solta o patife

Sou desafinado, eu sei
Mas minha voz
é como canto de sereia
Naufraga você que é viajante
... e molha a areia

Sou parvo, eu sei
Mas minha escrita
é como o sábio Salomão
Parte ao meio os inocentes
...e perde a razão

Sou injusto, eu sei
Mas meus versos
são como a justiça de Pilatos
Lava as mãos
...e livra os insensatos

Sou pequeno, eu sei
Mas minhas palavras
são como a funda de David
Afundam a fronte do gigante
...e olha ele ali

1986

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.