15 de junho de 2008

Nas entrelinhas

Eu preciso que você entenda
o que não vem escrito nas folhas
E que, afinal, compreendas
que ouvidos não ouvem com rolhas

Eu procuro uma desvairada demais
Infelizmente você não é louca
Quero muito mais que o demais
E, no entanto, você é pouca

Rogo por uma arrogante e rouca
por isso te aceno
Desejo beijos obscenos
mas você não tem boca

Quero mudar de ares
Bebericar pelos bares
Invadir botequins e tabernas
Pena você não ter pernas

Quero achar o tempo perdido
Distorcer o fato torcido
e ao levantar o amor já caído
dizer do amor não duvido

Quero mandar prá longe essa dor
e não ser na vida um ator
Prá não guardar tanto rancor
não basta escrever
muito menos se ler
É preciso entender
o que diz a palavra amor

Quero trazer-te prá perto de mim
e ser na sua vida um plim-plim
O mágico, que não chora no fim
E prá isso basta esquecer
o que não da prá esquecer
que irás logo saber
o que restou da palavra sim

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.