Há um cheiro de sêmen pelo ar
Esquecidos gemem pelo bar
pondo em falência a geladeira
Há desculpas de plantão
O velho golpe da reunião
e uma aventura passageira
Porque hoje é sexta-feira
Há uma adolescente que se despe
Um capitalista que investe
e a mulata desce a ladeira
Há um novo amigo que chegou
Um velho amor que se acabou
e um suicídio na pedreira
Porque hoje é sexta-feira
Há um gigante que se ergue
Uma mocinha que se perde
e sempre uma vez que foi primeira
Há pelos becos muito som
Muitas bocas e batom
e o zumzumzum parece feira
Porque hoje é sexta-feira
Há frases sem sentido
Línguas loucas pelo ouvido
Papos sérios e bobeira
Há um vulto, um gemido e alguém sua
Adultério... uma esposa quase nua
Margarida, Dália, Rosa, trepadeira...
Porque hoje é sexta-feira
Há no olhar dessa morena aqui na mesa
promessa de refeição completa e sobremesa
Morena-jambo, filé ao ponto estalando na frigideira
Há muita afinidade em nosso olhar
Poesias iguais prá se trocar
e muita loira fria e saideira
Porque hoje é sexta-feira
Há alguém que escreve um verso
Em cada colo um réu confesso
e uma carícia bem ligeira
Há tanta coisa assim sem nexo
Nas palavras muito sexo
nos corações muita geleira
Pois, invariavelmente, é sexta-feira
1990
Esquecidos gemem pelo bar
pondo em falência a geladeira
Há desculpas de plantão
O velho golpe da reunião
e uma aventura passageira
Porque hoje é sexta-feira
Há uma adolescente que se despe
Um capitalista que investe
e a mulata desce a ladeira
Há um novo amigo que chegou
Um velho amor que se acabou
e um suicídio na pedreira
Porque hoje é sexta-feira
Há um gigante que se ergue
Uma mocinha que se perde
e sempre uma vez que foi primeira
Há pelos becos muito som
Muitas bocas e batom
e o zumzumzum parece feira
Porque hoje é sexta-feira
Há frases sem sentido
Línguas loucas pelo ouvido
Papos sérios e bobeira
Há um vulto, um gemido e alguém sua
Adultério... uma esposa quase nua
Margarida, Dália, Rosa, trepadeira...
Porque hoje é sexta-feira
Há no olhar dessa morena aqui na mesa
promessa de refeição completa e sobremesa
Morena-jambo, filé ao ponto estalando na frigideira
Há muita afinidade em nosso olhar
Poesias iguais prá se trocar
e muita loira fria e saideira
Porque hoje é sexta-feira
Há alguém que escreve um verso
Em cada colo um réu confesso
e uma carícia bem ligeira
Há tanta coisa assim sem nexo
Nas palavras muito sexo
nos corações muita geleira
Pois, invariavelmente, é sexta-feira
1990

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