6 de novembro de 2008

Tropeços

Vidas, tantas vidas
num deserto
de carinho
Pedras, tantas pedras
que puseram
no caminho
Vinho, tanto vinho
nos botecos
e eu sozinho

Pelos, loiros pelos
Tantos dedos
e outro bebê no carrinho
Peles, loiras peles
Tantas mãos
que escorregam no linho
Pestes, loiras pestes
Tantos dentistas
Tanto rico vizinho

Rosa, muitas Rosas
Pouco perfume
Muito espinho
Galhos, muitos galhos
com seus gravetos tão secos
que incendeiam o ninho
Pétalas, muitas pétalas
Malmequer...
e meu bem me quer sozinho

Gente, quanta gente
que me passa voando
que tira fininho
Beijos, quantos beijos
Quanta boca sadia
Nenhum batom no colarinho
Pernas, quantas pernas
Pernas pra que te quero?
Deixa eu tropeçar sozinho

1986

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.