6 de fevereiro de 2009

Somorra

Enquanto homo ereto
é certo: como, enxerto
E, culpado, aborto o feto
e espanto como inseto
o neto que fizeste olhando o teto
Que após sugado é morto e infecto

Engano, engodo, lodo...
Não me vejo de outro modo
E austero e tímido
esbanjo e escarro outro gemido
Insano, encanto o lobo
E não me vejo como louco
Rápido e leve
espanto e escarro em quem me deve

Luto em desacordo
e acordo preguiçoso e gordo
Em desvario até lhe mordo
Chuto prá escanteio
E, receio, presunçoso e feio
que em cio lhe deflore o meio

Em Sodoma espero
que ninguém me coma
só que me libertem da redoma
e me acordem o corpo desse coma
Em Gomorra, cuidado:
não corra, não mate, só morra
Não me livre do pecado
só não deixe que me afogue em porra

Gomorra, pecado, masmorra...
Tortura de novo, que porra
Não viva, não morra
Não pare, não corra

Sodoma, pecado, redoma...
Frescura de novo, que zona
Não trepe, não toma
Não fode, não coma

2009

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.