20 de dezembro de 2008

Ele

Ele tinha um claro medo do escuro
E uma vez naufragou num porto seguro
E tinha um crédito que pagava com juros
E seu tempo passado conjugou no futuro

Ele tinha a coragem carregada de medo
E a melhor das manchetes guardou em segredo
E tinha um gozo tardio que chegava bem cedo
E um membro viril na cabeça do dedo

Ele era um cego que via bem longe
Era um pecador travestido de monge
Recordista que foi, nunca levou nem um bronze
Ficou na reserva, mas jogava nas onze

Ele tinha diploma de trabalho braçal
Sabia ser delicado como coice animal
Fantasiou a vida inteira sem desfilar no carnaval
Morreu muito cedo, prá se tornar imortal

2008

Um comentário:

Unknown disse...

A partir de hoje, muitos novos pontos e vírgulas farão, certamente, um belo autorretrato do autor.
Um belo 2009 e asas à imaginação. Essa você tem de sobra. Isso é certo!

Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.