“... de novo e sempre, feito viciada, eu vou voltar...” Chico Buarque
Eu sei o momento exato
em que você vai voltar
Sei quando a saudade aperta
Você é feito menstruação:
vem depois da febre, da dor
E em espasmos convulsos
quando eu já me rasgo os pulsos...
_ Ai, amor, oh!
Mas também sei o movimento ingrato
que você vai usar
Sei, pois o sorriso entrega
Você é feito ditadura militar:
joga duro e depois afrouxa
E entre gritinhos de tortura
quando chego aos picos da loucura
Eis você arrumando as trouxas
Eu sei o momento certo
em que você vai voltar
Sei quando o meu vulto te persegue
Você é feito o vaivém do mar:
beija rápido a areia e vai embora
E entre espumas flutuantes
quando eu já procuro outra amante...
_ Vem amor, rebola!
Mas também sei o movimento esperto
que você vai fazer
Sei, pois está tudo dentro
Você é feito viúva-negra, mulher aranha:
suga o macho até a morte
E entre veias e teias e cama
quando levanto de novo a chama...
Eis você voando embora pro Norte
Eu sei o momento preciso
em que você vai voltar
Sei quando o meu corpo te faz falta
Você é feito ave de arribação:
desafia os ventos, as tempestades, a pororoca
E entre plumas e penas
quando já bambeio das pernas...
_ Vai amor, coloca!
E aprendi o movimento próximo
que você vai repetir
A intensidade, a posição, o ângulo
Você é feito o peito largo da máfia:
quem adentra em teus braços não se desprega jamais
E entre luxúria e devassidão
quando já se derrama o amor pelo chão
_ Ai amor..., aí..., quero mais!
1987
Eu sei o momento exato
em que você vai voltar
Sei quando a saudade aperta
Você é feito menstruação:
vem depois da febre, da dor
E em espasmos convulsos
quando eu já me rasgo os pulsos...
_ Ai, amor, oh!
Mas também sei o movimento ingrato
que você vai usar
Sei, pois o sorriso entrega
Você é feito ditadura militar:
joga duro e depois afrouxa
E entre gritinhos de tortura
quando chego aos picos da loucura
Eis você arrumando as trouxas
Eu sei o momento certo
em que você vai voltar
Sei quando o meu vulto te persegue
Você é feito o vaivém do mar:
beija rápido a areia e vai embora
E entre espumas flutuantes
quando eu já procuro outra amante...
_ Vem amor, rebola!
Mas também sei o movimento esperto
que você vai fazer
Sei, pois está tudo dentro
Você é feito viúva-negra, mulher aranha:
suga o macho até a morte
E entre veias e teias e cama
quando levanto de novo a chama...
Eis você voando embora pro Norte
Eu sei o momento preciso
em que você vai voltar
Sei quando o meu corpo te faz falta
Você é feito ave de arribação:
desafia os ventos, as tempestades, a pororoca
E entre plumas e penas
quando já bambeio das pernas...
_ Vai amor, coloca!
E aprendi o movimento próximo
que você vai repetir
A intensidade, a posição, o ângulo
Você é feito o peito largo da máfia:
quem adentra em teus braços não se desprega jamais
E entre luxúria e devassidão
quando já se derrama o amor pelo chão
_ Ai amor..., aí..., quero mais!
1987

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