1 de julho de 2008

Praga

Como Barrabás fugiu da cruz
Como o diabo evita Jesus
Feito náufrago em luta com urubus
Igual a quem se debate
contra um câncer
Como Guevara, inutilmente,
fugiu de Banzer

Como o pescador fugiu da tempestade
Como o louco evita a realidade
Feito o camponês correndo da cidade
Igual a quem diz sim
querendo dizer não
Como o gato, sempre,
foge do cão

Como Cristo fugiu da Galiléia
Como o cordeiro evita a alcatéia
Feito Glauce presenteada por Medeia
Igual ao condenado
confinado em Alcatraz
Como a virgem, em vão,
foge do rapaz

Como a presa fugiu do predador
Como a graça evita o pecador
Feito o solitário renegando outro amor
Como o negro escravo tentou
quebrar suas amarras
Você pensou, desesperadamente,
em se livrar das minhas garras

Mas como praga que devora a plantação
Como chaga crônica que nasceu de um arranhão
Feito sepse que leva à amputação
Como sombra ao meio dia
que persegue os próprios passos
Eu te prendi, apaixonadamente,
no mais estreito dos abraços

2008

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.