8 de fevereiro de 2008

Vendo

Vendo tudo, por qualquer dinheiro
Um balde de obra, cimento, uma colher de pedreiro
Quatro ferraduras, o cavalo, um velho ferreiro
A mulher, duas amantes seminovas, o cunhado...
E a sogra leva quem chegar primeiro

Vendo um índio, um casal português e todo o Congresso Brasileiro
O Amazonas, São Paulo, o Piauí e um crivado Rio de Janeiro
Um cafetão, quinze putas e um bem situado pardieiro
Um galo de briga, dois pintinhos, milho picado...
E, por fim, todo o galinheiro

A filha virgem, minha jóia mais cara, vendo ao mais rico joalheiro
Sete pecados capitais, um altar, dois perdões, o pastor e o obreiro
Vendo três horas, um domingo, o ano quase todo, mas só de março a janeiro
Dois versos de Vinícius, um acorde do Tom e, do Jackson, o pandeiro
Um rolo de papel, sabão líquido, a torneira e esses versos que fiz nu no banheiro

2007

Um comentário:

Anônimo disse...

ô, meu querido Guarnier...
adorei o texto.
Beijo grande,
Valéria

Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.