Devolve todos os meus discos
Devolve o brilho pros meus olhos com todos os seus ciscos
Devolve “Erótica”, a revista
e o manifesto do Partidão Comunista
Devolve, devolve, devolve. Vai devolvendo tudo!
Ah, devolve minha foto que tá sobre o criado-mudo
Devolve todos os meus poemas
e junto com eles traz todos os meus problemas
Anda, resolve!
Devolve o meu corpo de novo pros botequins
Chega de me embrulhar! Me embrulha e me manda pros confins
Me devolve pro fundo das minhas garrafas
Me solta da malha de suas tarrafas
Me devolve prá noite pr’eu curtir minhas ressacas
Devolve a amidalite que te passei com todas as suas placas
Me devolve prá cidade grande, pro monóxido de carbono, pro corre-corre
Devolve a inspiração que eu tinha quando tava de porre
Manda a caixa de Engov!
Devolve o sobrenome que feito tolo lhe emprestei
Devolve todas as madrugadas que contigo varei
Por favor, devolve toda a tralha!
Devolve em forma de aliança o final dessa batalha
Copia e devolve a fórmula do molho inglês
Diz que é cafona, mas manda o meu terno de xadrez
Devolve a receita do exercício prá seio flácido
Devolve as dicas que dei prum suicídio bem rápido
e traz num lenço o revolver
Devolve assim, assi, ass, as... cada carícia que te passei
Devolve cada momento de gozo que lhe dei
Devolve o feto que há dois meses te fiz
e cada gargalhada de mulher feliz
Devolve com juros cada jura de amor, sua louca!
Devolve todos os vírus que roubou da minha boca
Devolve gota a gota cada gota de meu sêmen
Me liberta que serás também
Me envolve
Devolve aquelas surras
me curra
Me corta com os cascos de champanhe
Depois amarra de novo o cordão
larga a minha mão
E me devolve ao ventre escuro da minha mãe
1986
Devolve o brilho pros meus olhos com todos os seus ciscos
Devolve “Erótica”, a revista
e o manifesto do Partidão Comunista
Devolve, devolve, devolve. Vai devolvendo tudo!
Ah, devolve minha foto que tá sobre o criado-mudo
Devolve todos os meus poemas
e junto com eles traz todos os meus problemas
Anda, resolve!
Devolve o meu corpo de novo pros botequins
Chega de me embrulhar! Me embrulha e me manda pros confins
Me devolve pro fundo das minhas garrafas
Me solta da malha de suas tarrafas
Me devolve prá noite pr’eu curtir minhas ressacas
Devolve a amidalite que te passei com todas as suas placas
Me devolve prá cidade grande, pro monóxido de carbono, pro corre-corre
Devolve a inspiração que eu tinha quando tava de porre
Manda a caixa de Engov!
Devolve o sobrenome que feito tolo lhe emprestei
Devolve todas as madrugadas que contigo varei
Por favor, devolve toda a tralha!
Devolve em forma de aliança o final dessa batalha
Copia e devolve a fórmula do molho inglês
Diz que é cafona, mas manda o meu terno de xadrez
Devolve a receita do exercício prá seio flácido
Devolve as dicas que dei prum suicídio bem rápido
e traz num lenço o revolver
Devolve assim, assi, ass, as... cada carícia que te passei
Devolve cada momento de gozo que lhe dei
Devolve o feto que há dois meses te fiz
e cada gargalhada de mulher feliz
Devolve com juros cada jura de amor, sua louca!
Devolve todos os vírus que roubou da minha boca
Devolve gota a gota cada gota de meu sêmen
Me liberta que serás também
Me envolve
Devolve aquelas surras
me curra
Me corta com os cascos de champanhe
Depois amarra de novo o cordão
larga a minha mão
E me devolve ao ventre escuro da minha mãe
1986

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