8 de fevereiro de 2008

Por detrás do esparadrapo

Por detrás do esparadrapo
resta o que sobrou de ti:
um molambo, um velho trapo

Por detrás do esparadrapo
se esconde a jura que não fez,
a saudade do amor ingrato

Por detrás do esparadrapo
a vontade de morrer,
de gritar, de se perder no mato

Por detrás do esparadrapo
adormece a ferida,
a lama, o esgoto, o rato

Por detrás do esparadrapo
a poesia mais bonita,
o bote... e a cobra come o sapo

Por detrás do esparadrapo
avisto os teus cacos,
varro, junto e cato

Por detrás do esparadrapo
o deserto imenso,
o abutre, o cacto

Por detrás do esparadrapo
existem mãos amigas:
a aliança, o pacto

Por detrás do esparadrapo
seu coração em sinuca:
o pano verde, o taco

Por detrás do esparadrapo
dois olhos te fulminam:
o bêbado, o vulgar, o chato

1985

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.