8 de fevereiro de 2008

Na hélice do teto

Na hélice do teto
meu mundo gira
embriagado, calmo, inquieto
Na hélice do teto
meu mundo pira
sedento, excitado, ereto

Na hélice do teto
o amigo mais constante
e o inimigo, o desafeto
Na hélice do teto
saudades da amante
desejo de estar perto

Na hélice do teto
a vontade de retroceder
Japão, ventre, feto
Na hélice do teto
pensamentos de morrer
contaminado, sujo, infecto

Na hélice do teto
minha tese pelos poros
língua, pênis e reto
Na hélice do teto
me vejo e coro
senhor, Deus, rei, cetro

Na hélice do teto
crônicas de uma vida
tratados, filosofia, poema concreto
Na hélice do teto
sei que você duvida
mas digo te amo em dialeto

Na hélice do teto
minha cabeça em guilhotina
entregue, me enfio, penetro
Na hélice do teto
sonhos de menina
mulher, filhos, neto

Na hélice do teto
Alice Cooper, guitarras, drogas
Alice, país, ma-ra-vi-lhas... soletro
Na hélice do teto
réus, sentenças, juízes, togas
grades, ferros, umidade, insetos

Na hélice do teto
devaneios, confusão
Chico, Roberto, Frei Beto
Na hélice do teto
despedidas, solidão
embriagado, calmo, quieto

Na hélice do teto
o vôo por instrumentos
cego, tempestade, sem teto
Na hélice do teto
todo sentimento em movimentos
sem-terras, sem pão, sem-teto

Na hélice do teto
tudo é solidão
coisa, lixo, objeto
Na hélice do teto
tudo é nada e não
fogo, explosão, fujo, ejeto

* * *

Do vértice do teto
vertem-se paralelas
curvas, pontos, ângulo reto
No vértice da hélice
divertem-se elas
Nice, Eunice, Alice
No vértice delas
tudo o que não disse
e agora são elas por elas

Na hélice do teto
a poesia de um irmão
com o verso milimetro
Na hélice do teto
nem tudo é sim e não
errado ou certo
Eu sei, não sei, cansei
mas o certo é que se errei
foi por culpa da paixão

2005

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.