Dos becos, dos guetos imundos
do submundo
saem os rebentos nojentos
os vagabundos
Do canto escuro, detrás do muro
as meretrizes
De algum furo além do futuro
os infelizes
Dos botecos, das biroscas, os bêbados
e seus filhos
Dos viadutos, das pontes, nus nas fontes
os maltrapilhos
* * *
Da Rua das Bichas, nos cantos do antro
Por debaixo das camas, insanas
taradas, caladas, as faladas
moças
Geradas à noite, debaixo de açoite
Em meio a coices, cóccix, coitos, biscoitos
Por entre trouxas, louças, colchas
nas coxas
* * *
Dos prontos socorro, do morro, do mofo
os bandidos
Dos sanatórios, dos nosocômios, do manicômio
os desvalidos
Dos cabarés, dos bares, da vida, do cais, das grutas
as prostitutas
E carcomidos pelos bichos, nas latas de lixo, os fetos
os filhos das cujas
Dos hereges templos, do blasfemo tempo
os falsos profetas
E das infundadas teses, das fedidas fezes
nós... os poetas
1986
do submundo
saem os rebentos nojentos
os vagabundos
Do canto escuro, detrás do muro
as meretrizes
De algum furo além do futuro
os infelizes
Dos botecos, das biroscas, os bêbados
e seus filhos
Dos viadutos, das pontes, nus nas fontes
os maltrapilhos
* * *
Da Rua das Bichas, nos cantos do antro
Por debaixo das camas, insanas
taradas, caladas, as faladas
moças
Geradas à noite, debaixo de açoite
Em meio a coices, cóccix, coitos, biscoitos
Por entre trouxas, louças, colchas
nas coxas
* * *
Dos prontos socorro, do morro, do mofo
os bandidos
Dos sanatórios, dos nosocômios, do manicômio
os desvalidos
Dos cabarés, dos bares, da vida, do cais, das grutas
as prostitutas
E carcomidos pelos bichos, nas latas de lixo, os fetos
os filhos das cujas
Dos hereges templos, do blasfemo tempo
os falsos profetas
E das infundadas teses, das fedidas fezes
nós... os poetas
1986

Nenhum comentário:
Postar um comentário