2 de novembro de 2007

Mais nada

Não há mais nada a dizer
que já não tenha dito
Nada mais a escrever
que não esteja escrito
Amor maldito!

Não há mais nada a ouvir
quando advêm de um grito
Nada sobrou do testemunho
que não seja um mito
Amor bandido!

Não há nada a esmolar
no portão de um rico
Separe meu bem dos tolos
e diga ao povo: eu fico
Amor perdido!

Não há boas sementes
entre o joio e o trigo
Nem um pêssego, uma uva, um figo
Se não há mais perdão
entre pai e filho
Se não há mais vida
entre o suicida e o trilho
Se não há mais luz
que emane brilho
Se já morreu na cruz
o bastardo e o filho
Se já não há mais rimas
nesse estribilho

Não se faz pipocas
sem explodir o milho
Não se dorme bem
sem esmagar os grilos
Não se arruma um bem
sem se perder dez quilos
Não se pisca um olho
sem mexer os cílios
Não se tem fartura
sem lotar os silos
Não conheço estrela
brilhando mais que cirrus
Não se chega a nada
andando em círculos

Então melhor desistir
ir para casa, comer sucrilhos
Amar a própria esposa
brincar com os filhos
Semear o joio
pensando ser o trigo
Comer bananas
pensando em figo
Empobrecer as rimas
e os estribilhos
Vou deixar que outro
descarrile os trilhos

2005

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.