15 de novembro de 2007

Madrugada urbana

De madrugada
um vira-lata perambula
e lambe a pata machucada
De madrugada
a própria moita se move camuflada
De madrugada
Jack estrangula
e ri da moça estrangulada
De madrugada
o supersticioso dorme debaixo duma escada

De madrugada
alguém vira pro lado
e diz não à sua amada
De madrugada
a própria cobra morre envenenada
De madrugada
um bêbedo drogado
agoniza na calçada
De madrugada
a beata entre a cruz e a cabeça de uma espada

De madrugada
um brutamontes se imagina
quer ser boneca meiga e delicada
De madrugada
a própria bruxa se vê enfeitiçada
De madrugada
a varanda se ilumina
e surge um vulto na sacada
De madrugada
um corpo se esmigalha no asfalto duma estrada

De madrugada
o rato se move no porão
e vai pro quarto da empregada
De madrugada
a própria fogueira é por vezes congelada
De madrugada
o mato toma conta de um coração
e Cupido caçador entra empunhando uma espingarda
De madrugada
a saudade vem comigo me ajudar nessa caçada

1984

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.