8 de junho de 2012

Um qualquer


Sou apenas um ser qualquer
Corpo masculino, alma de mulher
Suado e perfumado, rubro, bipolar
ou o que mais quiser

Sou apenas um comum
Muitos em apenas um
Com forças e cansado, tenso, distante
 mas pronto para o zoom

Sou apenas uma parte da matéria
Vírus circulante pela artéria
Rico de incertezas, uma joia
 enterrada na miséria

Sou apenas um a mais
Oculto, perdido, vagando entre os demais
Atento, alerta, descrente e obstinado
 na busca dos sinais

Sou apenas um esboço
Reciclado do que um dia já foi moço
Correndo contra o tempo, andando lento
 para esquecer a dor que corrói o osso

Sou apenas um errante
e de mim mesmo um viajante
Discreto, tímido, oculto, silencioso
feito um assustado que sai da casa da amante

Mas tenho que ser exemplo:
Filhos, mulher, família todo o tempo
Sóbrio, sério, seguro, correto
Espelho a conviver nesse tormento

Na ilusão de que um dia serei livre
Com a certeza que só existe morte prá quem vive
Planejo ir onde nunca estive
Sou apenas o que acredito que não sou
Excitado e louco para ir onde não vou
                                      Preso em casa tenho asas
 Sou lebre, leve, ave livre que revive a cada voo

Nota: um dia depois de completar 50 anos, em 8 de junho de 2012

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.