8 de outubro de 2009

Um cântico

E que se lavem as mãos sujas
E que me troquem por um ladrão
E que atirem pedras como atiram nas cujas
inda assim lhes estendo a mão

E que riam eles de mim
E que me malhem feito um judas
E que aproximem o meu fim
mas deixarei na terra muitas mudas

E que me coloquem à roda dos escarnecedores
E que leiloem minhas vestes
E que me crucifiquem entre dois pecadores
inda assim perdoarei estas pestes

E que me depositem uma coroa de espinhos
E que me transpassem o corpo
E que se espantem os vizinhos
pois ressuscitarei inda que morto

1986

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Quem sou eu

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Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.