25 de outubro de 2007

Pude te amar

Em que cais, em que porto, que barco, que mar
Com que bote, que bóia, que remo e nadar
Mergulhar não deixar nosso amor naufragar
Ancorar em teu corpo seguro e de amor me afogar
Com que corda, corrente e que laço irá me salvar
Se amarrar os teus passos eu sei que não dá

Em que rua, que praça, que casa, que lar
Devo entrar sem bater pro teu corpo encontrar
Com que chave, que toque e que senha usar
Desvendar seu segredo sem medo já sei não vai dar

De que modo, que braço e que força fazer prá abraçar
O teu peito apertar para então nunca mais te soltar
Com que cara de culpa, desculpa, que culpa imputar
Se um cara e de cara mais nova ao seu lado deitar

Com que fome, que sede, vontade e saudade te amar
Te agarrar e beber dessa fonte defronte pro mar
E que urro, que berro, gemido, que grito vou dar
E gozar na certeza de um tempo que não vai voltar

Com que tinta, em que tela, que quadro pintar
Essa história tão linda de amor que nasceu prá apagar
E que prova, que gesto, que jura mais pura eu podia te dar
Eu te dei minha vida, querida, e agora você sei que vai me deixar

De joelhos, cansado, suado, chorando pedir prá você só ficar
Só me dar mais um pouco, uma noite, um minuto, um olhar
Prá que o tempo não possa nos ver e fingir não passar
Prá que eu tenha amanhã, pelo menos, mais tempo a contar
Prá que o tempo futuro o passado possa recontar
E lembrar que você já foi minha e que um dia eu pude te amar

2007

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
Niterói, Rio de Janeiro, Brazil
Nasci em 1962, sou casado, tenho dois filhos e adoro simplicidade. Formado em Jornalismo, sempre gostei de brincar com as palavras, de tirar delas o som, o sentido não exposto, o sentimento.